CAP. 38 – UM POUCO MAIS DE CAROLINA
- Nada disso mocinha! Primeiro você vai para o banho!
Ela me olhou com carinha de choro, mas se dirigiu para o banheiro ajudada por dona Augusta que tivera um razoável aumento salarial para morar no emprego, já que era viúva e os filhos não dependiam mais dela. Era um verdadeiro anjo em minha vida nessa hora tão difícil.
Depois do banho, ela correu para o meu colo e me entregou o diário:
- Agora o senhor vai ler pra mim o diário da mamãe!
Suspirei resignado, se eu não lesse ela não me daria sossego tão cedo, abri o diário e passamos por várias páginas onde estavam escritos apenas versinhos e algumas letras de músicas que deveriam ser as favoritas de Carolina quando menina.
Já ia fechar o diário quando Gabriela pediu para ver as páginas que estavam pintadas com canetinhas luminosas. De fato, apesar de estarem amareladas com o tempo, ainda chamavam a atenção. O título me chamava a atenção sobremaneira: DIA MUITO TRISTE!
Curiosidade não fazia parte da minha vida, mas uma página pintada de cores vibrantes e escrito em letras grandes, me fez ler o conteúdo e a forma triste com que ela escrevera, mostrava o enorme sofrimento que ela sentira ao escrever tudo aquilo:
DIA MUITO TRISTE!!!!!!!!!!!!!!!
A***, 04 de Outubro de 1995
Diário, eu estou arrasada! Soube que o meu pai foi transferido para outra cidade! Eu não quero ir embora!!!!!!! NÃO QUERO!!!!!!!!!!!!!!!
Eu tenho certeza que vou odiar tudo nessa nova cidade, não vou gostar de ninguém de lá! Só tem gente muito ruim!!! Como vai ser viver longe dos meus amigos, dos meus professores, estudar em outro colégio ?????? NÃO QUERO!!!!!!
Eu tenho certeza diário que vai ser muito ruim pra todo mundo essa mudança!! Eu sinto que vamos sofrer muito nesse novo lugar!
Por que tenho que levar essa vida infernal, de mudar de casa o tempo todo ?????
O que vai ser de mim nessa cidade de gente chata ????
Parei a leitura pensativo. Por que ela achava que sofreria nessa cidade ??? Carolina nunca mencionava esse período da sua vida, sempre desconversava e dizia que durante esse tempo ela estava adormecida e ficava mal-humorada se alguém insistisse em fazê-la recordar.







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