CAP. 50 – OITO ANOS DEPOIS (FINAL)
Oito anos se passaram desde que Carolina e eu nos casamos, aquele sem dúvida foi um dia inesquecível! Eu me sentia renascer depois de quase ter perdido novamente a minha família!
Gabriela agora era uma linda mocinha de doze anos e já apresentava os primeiros aborrecimentos de uma pré-adolescente e eu como pai – pois foi assim que assumi a minha enteada, como filha legítima, morria de ciúmes ao ver os meninos rodeando a nossa casa e procurando a minha menina que em poucos anos seria uma linda moça.
Carolina havia retomado o trabalho no banco e íamos sempre juntos para o trabalho. Os conflitos com a mãe continuavam e isso eu sabia que duraria para sempre, mas assim era a vida e esses pequenos problemas nós sabíamos como contornar.
E hoje, nosso aniversário de casamento, eu estava afoito com Gabriela rodando as lojas da cidade comprando presentinhos para o novo membro da família: Bernardo. Eu me sentia exultante de felicidade .
Gabriela nas suas gracinhas de pré-adolescente, dizia:
- Ainda bem que vocês encomendaram logo um irmão para mim! Assim vocês se ocupam com ele e não pegam no meu pé!
Depois de me certificar com Gabi de que todos os presentes estavam arrumados no quarto de Bernardo, fomos buscar Carolina no hospital.
MINHA FAMÍLIA ESTÁ MAIS QUE COMPLETA
Fabiano estacionou o carro na varanda e abriu a porta para mim, me ajudando a descer com nosso filho. Gabriela ajudava carregando a bolsa do bebê e ainda queria me dar opiniões de como cuidar dele:
- Mãe! Cuidado com o Bernardo, o médico disse que ele não pode ficar muito tempo aqui fora! O meu irmãozinho tem que ter os melhores cuidados do mundo!!
- Gabi! Você não está querendo ensinar o padre a rezar missa, está ?
Entrei dentro de casa e me emocionei com os cartazes espalhados desejando as boas-vindas para o novo membro da família. Meus pais e meus sogros vieram do quartinho de Bernardo carregando presentes e já disputando quem iria pegar o neto primeiro! Instintivamente lembrei-me de anos atrás quando minha filha não teve a mesma recepção e o parto solitário numa cidade distante, mas afugentei esses pensamentos. Daqui pra frente era vida nova!
O quarto de Bernardo foi caprichosamente arrumado por mim e por meu marido e claro, os incansáveis palpites de Gabi. As paredes todas forradas de azul com desenhos de carrinhos, o berço branquinho e azul todo decorado com motivos de marinheiro, como era o gosto de Fabiano. Num canto do quarto, uma poltrona azul com almofadas do time de Gabi e Fabiano, o Flamengo!
Dirigi-me para o meu quarto para repousar, mas fui interrompida por Gabriela que me chamou com seu jeito afoito:
- Mãe!!! Não vai dormir agora né!!! Antes vem tirar o retrato da família!!!
Nos posicionamos na sala e tiramos o célebre retrato, que era costume de minha mãe e de de minha sogra! Costume das duas registrar tudo!
Mas era bom, depois de tanto sofrimento e tanta luta poder vislumbrar uma vida cheia de paz e felicidade! E agora, eu só desejava que em todos os recantos do mundo, outras famílias estivessem sentindo a mesma felicidade que nós estávamos sentindo.
PAZ E BEM!







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